Gota de Orvalho

Sem limites: a via do Bodhisattva 7

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O último voto: A via do Buda é insuperável, faço voto de a encarnar. O que é a via do Buda? Buda significa desperto. E desperto significa estar consciente e ver as coisas tal como elas são. É como se tivéssemos estado a viver com um véu sobre os olhos, e de repente é levantado e podemos ver as coisas tal como elas são! É como se tivéssemos estado a dormir. Se conseguirmos estar presentes para além de gostos e não-gostos podemos então ver as coisas tal qual elas são. A via do Buda é a via de experienciar as coisas como são, livremente, abertamente. E quando dizemos que é insuperável, inesgotável, inultrapassável, não estamos a dizer que é melhor. Não é uma questão de este caminho ser melhor do que o outro; não é um julgamento e não é a crença em algo transcendente, acima, superior. É insuperável na medida em que é justamente aquilo que é: não há nada acima, nem nada abaixo, nada em qualquer dos lados. É simplesmente aquilo que é. Eu faço voto de incorporar isto. Só tu podes viver desta maneira. Ler, pensar ou falar sobre isso não leva a lado nenhum, embora aqui esteja eu a falar-vos disto dia após dia… Conversa é apenas conversa. O despertar pode apenas ser vivido, aqui e agora. Não há outro caminho. E faço votos nesse sentido. Faço votos de o incorporar.

Este ensinamento Zen desdobra-se como um leque (uso os termos Zen e ensinamento para agrupar algo que não tem limites). Este ensinamento, esta prática, abre-se assim, como um leque. E quanto mais nos sentamos e nos tornamos conscientes, mais a prática se abre e desdobra, assim como as várias dimensões da vida. Esta práatica está viva em cada uma dessas dimensões de vida! Isto é compaixão.

Talvez comece apenas aqui comigo, desta maneira, e depois eu levanto-me e começa a desdobrar-se. E quanto mais me torno consciente do momento presente, mais olho à volta para ver as coisas tal qual elas são, e subitamente tudo se torna mais vivo e, assim, ajo mais de acordo com a situação e com aquilo que precisa ser feito, com o que quer que surja perante mim. Isto é do que estes votos falam. E não são apenas votos usados em contexto formal. Para trazer esta prática para o dia-a-dia, eu vivo estes votos, o que quer dizer que vivo o meu dia-a-dia tomando consciência do momento presente, para além dos meus desejos, gostos e não-gostos – há uma certa qualidade de queijo de que gosto e outras que não gosto, alguns filmes de que gosto, outros nem por isso, gostaria de poder dormir mais às vezes mas não posso, e isso deixa-me zangada. Tomo consciência de tudo isso!

Mas estes votos vêm de um lugar mais profundo e abrangente do que as minhas opiniões, gostos e não-gostos. E quanto mais nos lembramos de sentar e tomar consciência do momento presente, mais nos apercebemos de que sentar é só e apenas um meio de aprender exatamente quem somos: nada mais, nada de extraordinário, nada em falta, apenas isto. O que nos permite assim ver os outros tal como eles são e recebê-los tal como são. Ver o edifício tal como ele é, e recebê-lo, e a mosca apenas como é e recebê-la, e as flores…

 

Ensinamento de Amy Hollowell

 

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