O terceiro voto é: A realidade não tem limites, eu faço voto de a ver. Mais uma vez, se algo não tem limites, como é que o podemos ver? O que é a realidade e o que significa sem limites? O que significa ver? Parece que me estou a comprometer fazer algo de impossível, algo que não serei capaz de fazer – pelo menos do ponto de vista da lógica. Normalmente pensamos que ver/perceber algo significa ver os seus limites, para que possamos identificá-lo, fechá-lo sobre si mesmo, e assim percebê-lo. Mas este voto está a dizer-nos algo diferente. Este é um ato de compaixão de que não consigo ver o fim. Não tem limites; não lhe consigo ver as fronteiras, o fim. E não os consigo ver porque não existem! E faço voto de ver isso. Mas como?
Sento-me e aprendo a estar presente – para além de gostos e não-gostos. Vejo a realidade ilimitada primeiro aqui (eu). Vejo que não sou limitada àquilo que penso ser. Tenho estado à procura, à minha e à vossa volta, tentando perceber onde estão os limites desta “propriedade”. Tenho estado a tentar desenhar os limites para me sentir segura. Mas na verdade não faço ideia nenhuma! Se olho para dentro, profundamente, vejo que não sou limitada; se olho para fora, então – porque o vi em mim – vejo-o em cada um de nós. Vejo o potencial sem limites em todos. A realidade sem limites está exatamente aqui.
O Dalai Lama disse que “até Mao”, que não tinha certamente feito nada de bom nem ao próprio Dalai Lama nem ao povo tibetano, tem uma natureza búdica e o potencial de poder realizá-lo. O Dalai Lama não limita a sua percepção de Mao a quaisquer atos que este cometeu, a quaisquer crenças que este tenha tido, a quaisquer posições que tenha mantido e tomado. Isto traduz aquilo a que chamamos de natureza búdica, que é a essência, a natureza primeira, de todos nós: não é limitada, é ilimitada! Não se manifesta unicamente em pessoas boas nem em flores bonitas. Está para além de gostos e não-gostos. Sem limites. Assim, ao fazer votos de o ver, estou a fazer votos de abrir mão das minhas ideias limitadas, do apego ao “meu” espaço limitado e ao “meu” referencial limitado. Tomo consciência deles, que são parte da realidade sem limites, mas estou a fazer votos de não ficar presa aqui, de dar um passo em frente para além destes gostos e não-gostos que limitam a minha percepção da realidade.
Ensinamento de Sensei Amy Hollowell