Gota de Orvalho

O Centro de Tudo Isso

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Pensa por instantes na quantidade de confiança e cooperação que teve de existir para que aquilo que estás a fazer neste momento possa ocorrer.

Quem fez o monitor em que estás a ler? Quem enviou o aparelho para a loja? Quem o inventou? E quem inventou o aparelho que deu origem a este? Quem inventou o primeiro prego? O primeiro parafuso? Quem obteve o metal para construir o aparelho? Quem colheu os alimentos para alimentar toda essa gente que inventou todas essas coisas?

E o que é que teve de acontecer para que a primeira chuva caísse no planeta Terra?  Quantas estrelas tiveram de explodir numa supernova para criar os elementos de que este planeta é feito, que compõem o aparelho em que estás a ler este texto, que compõem o teu corpo, que constituem a tua mente?

E estavas presente quando tudo isso aconteceu?

E como poderias não ter estado presente quando cada partícula que constitui o teu corpo e a tua mente já existia antes da criação universal e permanecerá muito para além do momento em que tudo o que enxergas deixar de existir?

És o centro de tudo isso.  És o ponto em que tudo isso se une. Mas não te tornes demasiado convencido.  Porque eu também sou. E toda gente o é.

É “tu” só um nome para um ponto em que tudo isto se funde?

O que é o tempo? O tempo é o número de voltas que este planeta fez em volta do sol?   Pensamos no tempo como algo real. Mas onde é que está? Onde está quando se vai embora? Pode-se dizer que cada momento do tempo derivou deste?

O mundo em que vives, a pessoa que és, tudo foi construído através da confiança e da cooperação. E foi construído através da guerra e do conflito. Remédios que te salvaram a vida em criança foram desenvolvidos em campos de batalha sangrentos. Não estarias aqui se não fosse pelas batalhas que se travaram antes de teres nascido.

Quem és tu se não o centro de tudo o que foi e tudo o que será?

Pensas que o fizeste sozinho? Pensas que és independente? Que giro!

Mesmo os teus pensamentos foram formados e moldados por processos que não poderias compreender. A linguagem que falas, a linguagem com a qual formas as “tuas” opiniões, os conceitos nos quais essas linguagens se basearam, foram criados por seres humanos que viveram vidas completas e que, eles próprios, tiveram pensamentos que eles pensaram que lhes pertenciam.

E alguns têm a lata, a audácia, a estupidez, de chamar a isto “mundano”, “aborrecido”, chamar a isto “insatisfatório”, de desejarem que pudesses estar noutro lugar. Tomam drogas alucinogéneas para ver “a verdade”. E quem é que os nomeou reis de tudo?

E, de qualquer forma, onde é que poderíamos estar?

Mereces as coisas boas da vida? Mereces uma pausa hoje? Acreditas nas tretas que contam nas notícias? Achas que sabem mais do que tu, que têm alguma ideia sobre o que é importante, para onde vamos e por que é tudo isto está a acontecer?

Acreditas em Deus? Negas a existência de Deus? Achas que uma ou outra coisa realmente interessa para a situação?

Talvez não devêssemos estar a olhar para o tempo. Mas sim para a cooperação. Talvez seja necessário pensar na cooperação. Não pensar apenas em pedir a confiança dos outros, mas em ser alguém em quem os outros possam confiar.

Talvez o melhor futuro seja um futuro de confiança total, de total cooperação. Mas como vamos chegar aí, se insistes em que estás certo e eles estão errados?

 

Brad Warner, autor e professor zen

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