Plantar a árvore de metta

Quem escolheria viver numa cabana suja, decrépita, com fendas, à mercê dos ventos e dos temporais? Quem não preferia viver numa mansão com todo o conforto e beleza, rodeado de amigos e felicidade? No entanto, deixamos que a nossa mente habite terrenos inóspitos, moradas agrestes e solitárias e frequentemente descuramos a construção da melhor morada para a nossa mente…

Os “Brahmaviharas” (em Páli) representam “as 4 moradas (“viharas”) divinas (“Brahma”), cujo significado é: “ o modo de vida dos Brahmas”,“ os nobres modos de vida” ou “viver praticando a bondade”. Também são conhecidos pelo termo appamaññā (em Sânscrito: apramāa), designativo de: “os 4 pensamentos ilimitados”, “os 4 estados sublimes da mente”, “ as 4 atitudes sublimes”, etc.

Estes termos são atribuídos a um conjunto de práticas meditativas e de estados da mente que, cultivados assiduamente, permitem transcender as limitações da existência humana (alcançar a libertação) e encontrar a fonte de todo o Amor (Brahma). É em Brahma que a mente deve constituir morada e permanecer para se sentir em “casa”.

Os Brahmaviharas são, por outro lado, um caminho para interagir de forma plena e harmoniosa com os outros seres porque são a resposta para todas as situações que caracterizam a atividade social, assumindo-se como grandes inibidores de tensão, apaziguadores do conflito social e de feridas acumuladas no decorrer da existência. Ajudam a diluir barreiras sociais, a construir comunidades harmoniosas e despertas, a recuperar a alegria e a esperança porventura abandonadas, assim como a promover a fraternidade em oposição às forças opositoras (o ódio, a raiva, a irritação, a malevolência, a culpa, a cobiça, o ressentimento, a solidão, a tristeza, a ilusão, a aversão, o pensamento auto-centrado, o desejo, o apego a tendências não saudáveis) que têm por base a ignorância.

Buda enfatiza estas virtudes porque se dirigirmos apenas a atenção a tópicos filosóficos ou meditação introspetiva, tornamo-nos mentalmente auto-centrados e, como tal, impedidos de percorrer o caminho da libertação. A prática deve, assim, contemplar princípios de conduta e objetos de reflexão, combinada com meditação diligente e persistente, que permitam ultrapassar o nível conceptual.

Metta-Tree

Metta, amor-bondade, é uma das moradas divinas da nossa mente. Cultivar a árvore de metta passa por obter um bom solo, com bons nutrientes (as virtudes necessárias), precisamos de regá-la consistentemente, dar-lhe sol e as condições indispensáveis da prática, para que possa florescer e atrair amigos espirituais que a “polinizam” e finalmente dê frutos, a felicidade do amor incondicional.

Esta árvore pode dar frutos o ano todo!

 

(Com um especial agradecimento a Nuno Magalhães, pela bonita apresentação deste tema integrada no Curso de Introdução ao Budismo organizado no Centro Budista do Porto sob a orientação de Margarida Cardoso e com a participação ainda de Alberto Pereira, Carla Ribatua e Susana Santos, alunos do Programa de Estudos Budistas)

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