o eu não é o problema

Uma das formas mais bonitas e simples de falar do eu….

Pergunta: Como é que eu me posso distanciar mais do eu, quando me identifico fortemente com este eu no dia-a-dia? No “meu” caso, uso-o para confortar pessoas …”Sei o que estás a sentir, também já passei por isso, etc.” …

Como aprofundar a prática de identificar mais com o Eu Funcional que beneficia os seres … e dissolver cada vez mais o eu que é ego-centrado, mesmo que usado para confortar os outros.

Penso nisto como salpicar a grande consciência com o sumo da vacuidade e ir dissolvendo o ego.

Resposta: Não sei se o eu é o problema.  A questão está em compreender a natureza daquilo que assumimos ser um eu. Aquilo a que nos referimos enquanto “eu” é apenas vida e experiência e a consciência de tudo isso. De vez em quando experimenta procurar essa coisa singular a que chamas eu. Verás movimento contínuo, climas atmosféricos que vão e vêm tal como o tempo meteorológico,  ideias a acontecer, mas que realmente não ficam num lugar especial,  e embora surjam com vivacidade – e até intensamente – toda esta experiência te vai fugir quando a procurares. Por mais que tentes, não vais conseguir identificar onde o eu começa e onde acaba. Por outras palavras, há só esta dança contínua entre aquilo que podes identificar enquanto mundos interior e exterior mas não conseguirás separá-los ou dizer que são o mesmo. “Tu” não serás capaz de identificar um eu singular, permanente ou independente.

Não penso que precises ou que possas desligar-te do eu.  Não serás capaz de te separar desse chamado eu, porque na realidade terias primeiro de o encontrar.  E como continua a mudar com as chamadas experiências exteriores, não penso que isso possa acontecer.

Experimenta pensar no eu como simplesmente “ser” e responder ao mundo à tua volta com inteligência. És uma parte da grande natureza de interdependência infinita. Desta forma, não és o mesmo nem estás separado de nada.  Não podes separar a tua consciência da vida à tua volta. Dessa forma não podes dizer que és independente ou estás separado do outro. E contudo, não podes dizer que és o mesmo. Portanto, como é que te podes livrar de tal eu?

Isto é o que aprendemos dos grandes mestres tais como Nagarjuna. Podemos estudar e fazer as contemplações do não eu -são incrivelmente poderosas.  Mas na realidade, compreender o que és, é uma experiência sentida  – e muito natural. Então, ao responderes ao mundo à tua volta, podes partilhar a tua experiência de seres humano com outros. Podes partilhar as tuas alegrias, os pesares, os desafios e as interrogações, tal como estás a fazer. Só porque não consegues encontrar um eu singular, permanente ou independente, não significa que as coisas não funcionam.  O eu funcional responde à vida. “Funcional” quer dizer que as coisas se movem, e movem-se porque não são singulares, permanentes, ou independentes. Se não estivessem em relação – se existissem de uma forma particular – não existia movimento. Tudo seria inerte.

Não te preocupes tanto com o eu e responde aos outros com bondade. Isso será uma grande gentileza para o teu eu, tanto mais que não será necessário veres o eu como um problema… por assim dizer.  E então, queremos lá saber do eu que nem sequer é encontrado ao investigarmos!  Estarás demasiado ocupado a apreciar o teu lugar num universo de contingência infinita para te preocupares com esta coisa singular, separada, que nunca vai encontrar.

Sim, por vezes este “tu” começará a contrair-se e a esconder-se, a rejeitar, a solidificar, sentirás a separação e a dor e não saber quem és… pode chamar a esse estado de dor o ego se quiseres. Mas não é uma coisa. Antes, é uma percepção errada da tua verdadeira natureza. Lembra-te disto. E volta para a tua tarefa de viver plenamente.

Elizabeth Mattis Namgyel

fonte:

http://www.elizabethmattisnamgyel.com/what-self

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