O que é a meditação?

A meditação é uma prática e uma experiência, por isso qualquer definição será sempre incompleta, da mesma forma que viajar não é olhar para o mapa. Em termos simples, podemos falar da meditação como a experiência da natureza ilimitada da mente, quando não estamos envolvidos no “sufoco” da nossa tagarelice habitual.

Uma imagem usada tradicionalmente, é a imagem da mente como o céu – azul, vasto, infinito.  E tudo o que surge na nossa consciência – sensações, emoções, estados de espíritos, pensamentos, são como nuvens, que podem ter diferentes formas e cores mas que são transitórias, surgem e passam, e não alteram em nada o que o céu é.

Habitualmente ficamos focados nas nuvens, nos fenómenos, e não reconhecemos o seu caráter ilusório, passageiro, condicionado. Por isso, se bem que possamos descrever a meditação como a experiência daquilo que somos naturalmente, provavelmente vamos primeiro descobrir o que não somos: os pensamentos, as emoções, os fatores mentais, as sensações.

Quando atravessamos de avião uma zona de tempestade, pode parecer quase mágico encontrar do outro lado o sol e o céu brilhante e azul – ele sempre esteve lá, mas momentos antes só conhecíamos o caráter ameaçador das nuvens negras. Da mesma forma, durante a meditação ou até mesmo em alguns momentos no nosso dia-a-dia, podemos ter esse vislumbre do céu vasto e calmo. E com o tempo, e um caminho de prática, podemos reconhecer mais e mais esse caráter sereno, claro, mas também tão vivo da nossa mente. E esse caminho, é o caminho de volta a casa, à nossa verdadeira casa.

Pois embora possamos frequentar “aulas” de meditação, não é algo que temos adquirir, uma técnica externa, como aprender matemática ou aprender a conduzir. Trata-se de redescobrir o que já somos, as qualidades que já temos, e levá-las para o nosso dia-a-dia.  A meditação não nos afasta do mundo, leva-nos, antes, a tornarmo-nos mais conscientes da rede de interdependência que nos une a tudo e todos. E ao olhar para dentro, descobrimos os outros.

 

Quando olho para dentro e vejo que nada sou, isso é sabedoria.

Quando olho para fora e vejo que tudo sou, isso é compaixão.

É entre os dois que a minha vida se realiza.

Nisargadatta Maharaj

 

Proposta: para meditar, não tem necessariamente que ter um lugar especial, não tem de ser em casa sentado numa almofada. Pode meditar num banco num jardim, num engarrafamento, ou na fila do supermercado. Note as sensações do corpo. Tome consciência da respiração. Note como se sente. Aborrecido, excitado, frustrado? Tem a cabeça cheia de pensamentos? Note simplesmente o que está. Não está certo ou errado. É o que é. Ao aceitar o que está, isso muda alguma coisa?

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