refletir como um espelho

Conforme a atenção se torna mais estável e a concentração mais forte, a qualidade de mindfulness começa a revelar-nos percepções cada vez mais profundas do mundo e de nós mesmos. Começamos a cortar através das histórias que contamos a nós mesmos sobre a experiência, a viver menos em pensamentos sobre as coisas e mais na experiência direta do momento. Como exemplo, vemos que as nossas experiências do passado e do futuro são simplesmente pensamentos no momento, e portanto somos menos envolvidos por elas. Santo Agostinho disse uma vez: “Se o passado e o futuro realmente existem, onde estão eles?”

Reparem na diferença entre estarmos perdidos num drama mental e reconhecê-lo apenas como um pensamento. Com este reconhecimento, há um sentido imediato de libertação, de relaxamento, de amplitude. E em vez de julgar o facto de estarmos perdidos, podemos comprazer-nos na experiência de acordar. Muitas vezes as pessoas interpretam mal este ponto da prática, ao pensar que a meditação significa não pensar. O objectivo da prática, contudo, não é esse; é estar consciente dos pensamentos, em vez de perdidos neles. Claro que uma das consequências desta consciência é que frequentemente vemos estes pensamentos a dissolverem-se rapidamente, precisamente porque não estamos perdidos neles e assim a alimentá-los inconscientemente.

Compreender diretamente a diferença entre estar perdido em pensamentos e estar consciente deles tem um impacto significativo nas nossas vidas, porque estamos muitas vezes não apenas perdidos em pensamentos mas também a exteriorizá-los. Tanto do sofrimento do mundo – injustiça, guerra, violência e exploração – vem de pessoas que exteriorizam pensamentos e sentimentos de cobiça, de ódio, e de medo. Se nos tornarmos conscientes da cobiça, do ódio e do medo que nos influenciam, podemos reflectir sobre isso em vez de nos debatermos por causa disso.

Precisamos de ver esta causa primeira de sofrimento não só na vida das outras pessoas mas também nas nossas próprias mentes, nas nossas vidas. Por vezes negligenciamos as coisas mais simples precisamente porque são tão simples. Um aspeto profundo da atenção é a sua capacidade natural de incluir tudo. Quando estamos unicamente com o que é, nada é exterior ao domínio da consciência. Um espelho não escolhe o que refletir; a sua natureza apenas reflete seja o que for que surja diante dele. Será que podemos praticar a mesma sabedoria da mente de refletir como um espelho?

Joseph Goldstein, One Dharma

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