O elefante

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Em tempos antigos, irmãos, havia um rajá em Savatthi. Um dia, irmãos, o rajá chamou um certo homem e disse-lhe: “Anda cá amigo, vai juntar todos os cegos de Savatthi!”

“Muito bem, majestade”, respondeu o homem, e, obedecendo ao rajá, reuniu todos os cegos, levou-os ao rajá e disse: “Majestade, todos os cegos de Savatthi estão aqui reunidos.”

“Então, agora mostra-lhes este elefante.”

“Muito bem, majestade”, disse o homem, e fez o que lhe foi pedido, exclamando: “Eh, vocês! Aqui está um elefante!”

E a um mostrava a cabeça do elefante, a outro a orelha, a outro uma defesa, o tronco, uma pata, o traseiro, a cauda, dizendo a cada um deles que era o elefante.

Depois, irmãos, tendo mostrado o elefante aos cegos, o homem apresentou-se ao rajá e disse: “Majestade, o elefante foi mostrado aos cegos. Faça agora o que lhe aprouver.

Logo a seguir, o rajá aproximou-se dos cegos e perguntou a cada um: “Estudaste bem o elefante?”

“Sim, Majestade”

“Então diz-me quais as tuas conclusões.”

Aqueles a quem foi mostrada a cabeça, disseram: “Majestade, o elefante é como um cântaro”. Aqueles que observaram a orelha disseram: “O elefante é como uma peneira”. Aqueles a quem tinha sido mostrada a presa disseram que era uma charrua. Os que tocaram no corpo diziam que era um celeiro, os que tocaram no traseiro, diziam que era um almofariz, a cauda era um pilão, os pêlos da cauda era uma vassoura. Depois todos começaram a brigar, gritando: “Sim é! Não, não é! Um elefante não é isso! Sim é isso!”, e por aí adiante, até chegarem a vias de facto.

Aí, irmãos, o rajá estava encantado com a cena.

“Da mesma forma são esses sectários, vagabundos, cegos, desconhecendo a verdade, mas cada um a manter que “é assim!”

Então, nesse momento o Buda, ao ver o cerne da questão, pronunciou-se desta forma:

“Oh como se agarram e como brigam, alguns que se dizem brâmanes e ascetas, cada um discute e agarra-se ao seu ponto de vista. Pessoas assim apenas vêem um lado das coisas.”

‘O how they cling and wrangle, some who claim
Of brahmin and recluse the honoured name,
For quarrelling, each to his view, they cling.
Such folk see only one side of a thing.’

Udana, Cânon budista

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