estar com as emoções difíceis

Não conseguir abrir para emoções desagradáveis é outra causa do surgimento da cólera, obscurecendo ainda mais a possibilidade de amor e compaixão. Isto acontece frequentemente quando personalizamos uma situação difícil que na realidade é impessoal. Alguns anos atrás estava no aeroporto de Newark a caminho de Denver. Estávamos no avião, dirigíamo-nos para a pista para descolar, quando o avião parou. O piloto anunciou que por causa dos ventos fortes em Denver e da carga excepcionalmente pesada, teríamos de voltar e desembarcar metade dos passageiros – todos os que tinham ligações. Quando voltávamos, um dos passageiros estava numa grande agitação por causa do atraso e da possibilidade de ter de passar a noite no aeroporto. Gritava com o assistente de bordo, resmungava sobre as companhias aéreas e de uma forma geral, demonstrava muita cólera. Eu estava a observá-lo do meu lugar e ao princípio senti muita antipatia por aquela pessoa, que estava a fazer uma cena tão desagradável. Mas depois fiquei interessado em perceber o que se estava realmente a passar.

É claro que a situação em si era frustrante. Longas esperas, ter de mudar montes de coisas já previstas – muitos de nós tinham os mesmos sentimentos de desencorajamento. Mas esta pessoa em particular era incapaz de suportar a frustração e vivenciá-la de uma forma equilibrada. A frustração em si era tão insuportável para ele, que se transformou em cólera. O assistente de bordo não tinha claramente nada a ver com a decisão; e mesmo a decisão era baseada em considerações de segurança. Não era com certeza uma vingança pessoal da companhia aérea contra os passageiros. Este incidente foi um bom exemplo para mim do grande poder da atenção para aliviar o sofrimento. Se o passageiro tivesse respirado uma ou duas vezes, se se tivesse aberto aos sentimentos de angústia, e talvez se tivesse pensado como teria gostado de ser tratado se estivesse na situação do assistente de bordo, talvez não tivesse perdido as estribeiras como o fez. Quando conseguimos estar com as emoções difíceis da mesma forma que com as sensações físicas desagradáveis, esta aceitação liberta-nos do hábito de reações de aversão e deixa-nos relaxar num lugar confortável.

Joseph Goldstein, One Dharma

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