trabalhar com a aversão

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Como trabalhar com a cólera e a aversão, quando o amor parece impossível e o nosso coração se contrai? Como investigar estes estados mentais não saudáveis que frequentemente são a nossa resposta habitual a experiências desagradáveis e difíceis? É fácil observá-las na nossa relação com a dor física. Muitas vezes há contração, frustração e impaciência; não gostamos disso. Queremos que a dor desapareça e iniciamos todo o tipo de estratégias mentais pouco produtivas para o fazer. Podemos ser apanhados em ondas de autocomiseração ou ficar perdidos no medo, ou negociar com a dor para que desapareça: “estarei atento se te fores embora”.

Ou podemos tentar evitar o desconforto de outras formas. Há anos, quando vivia e praticava na Índia, fui a Kashmir nos meses mais quentes de verão. Parte da viagem consistia num longo percurso de autocarro – longas horas num autocarro indiano, quente e cheio de gente. Eu tinha um lugar apertado por cima da cambota e o autocarro sacudia e vibrava constantemente, pelas estradas íngremes e estreitas da montanha. Podia prever uma viagem realmente desagradável portanto pensei que poderia ficar com a minha respiração o tempo todo, deixando de fora todas as sensações desagradáveis. Uma hora, duas horas, a tomar nota da respiração. IN – EX

Durante algum tempo esta estratégia pareceu resultar. Fiquei concentrado na respiração e não me dava muito conta do desconforto. Mas a partir de certa altura, era demasiado esforço! Esforçava-me tanto para me concentrar na respiração que fiquei exausto com a tentativa. Nesse momento tive uma pequena abertura de percepção: compreendi que a verdadeira luta residia em tentar deixar ficar as coisas desagradáveis de fora e o que deveria fazer era deixá-las entrar. A partir desse momento de compreensão, simplesmente me abri para tudo o que estava a acontecer, o que quer que fosse – o calor, o barulho, as sensações desconfortáveis do corpo, as vibrações, os cheiros do motor, tudo. Quando deixei que tudo entrasse, a mente relaxou, e o resto da viagem passou-se bem. As coisas eram apenas o que eram, já não tinha que lutar com elas.

Joseph Goldstein, One Dharma

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