Gota de Orvalho

não dá para fugir

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Já observou que não há como fugir de nada? Que, mais cedo ou mais tarde, as coisas com as quais não queremos lidar e das quais tentamos fugir, ou tentamos ignorar e fingir que elas não existem, nos alcançam – principalmente se têm a ver com velhos padrões e medos? A noção romântica é de que se não se está bem aqui, simplesmente temos de ir para lá e as coisas serão diferentes. Se o emprego não é bom, mudamos de emprego. Se a esposa não é boa, troquemos de esposa. Se a cidade onde moramos não é boa, mudemos de cidade. Se as crianças são um problema, deixemos que outros cuidem delas. O pensamento subjacente é o de que a razão dos nossos problemas está fora de nós – no local, nos demais, nas circunstâncias. Mudemos o local, mudemos as circunstâncias, e tudo irá encaixar-se nos seus devidos lugares e vamos poder recomeçar, ter um novo início.

O problema com esse modo de ver é que ele convenientemente ignora o fato de que levamos a nossa cabeça e o nosso coração, o que alguns chamariam de “Karma”, para onde quer que vamos. Não podemos fugir de nós mesmos, por mais que tentemos. E por que razão as coisas seriam diferentes ou melhores em algum outro lugar?

Se na verdade os problemas provêem da nossa maneira de ver, pensar e agir, eles vão tornar a surgir. Muito frequentemente, as nossas vidas não funcionam porque paramos de trabalhá-las, porque estamos sem vontade de assumir a responsabilidade pelas coisas como elas são, e de trabalhar as nossas dificuldades. Não compreendemos que é realmente possível conseguir clareza, compreensão e transformação bem no meio do que está aqui e agora, não importa o quão problemático possa ser. Mas é mais fácil e menos ameaçador para o nosso eu projetar o nosso envolvimento com os nossos problemas noutras pessoas e no ambiente.

Jon Kabat-Zinn, Aonde Quer Que Eu Vá

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