A prática de Mindfulness

A atenção plena ou plena consciência (mindfulness) ocupa um lugar de primeira importância em todo o caminho budista. Na verdade, é o que torna possível qualquer prática espiritual. A atenção plena é a qualidade da mente que se dá conta do que está presente, sem julgamentos, sem interferência. É como um espelho que claramente reflecte o que está diante de si. Munindraji resumia esta qualidade numa simples expressão: conhecer as coisas como elas são.

A atenção plena tem muitas funções e é assim vista como um chefe de equipa executivo (na verdade nos textos pali é comparada com um ministro-de-todo-o-trabalho). Se queres que alguma coisa seja feita, é com esta pessoa que precisas falar. A atenção ajuda a distinguir o bom do mau, o que vale a pena, do que não vale a pena. Conserva diferentes estados da mente equilibrados, a trabalhar em harmonia. Também contribui para um recolhimento em sabedoria. Sem a atenção, não sabemos o que as nossas mentes estão a fazer e portanto estaremos perdidos na confusão.

Diferentes tradições falam da atenção plena de diferentes maneiras, por vezes como uma qualidade a ser cultivada, por vezes como um aspecto do estado inato desperto da mente, muitas vezes como ambos. No Dzogchen, chamam-se a esses dois aspectos a atenção construída e não construída. A atenção construída é o estado condicionado da mente que faz um esforço para estar atento. Embora haja aqui algum sentido de dualidade – alguém a fazer alguma coisa – precisamos deste tipo de atenção para nos trazer de volta ao momento. Num nível mais subtil de construção, a atenção é constante, mas ainda há um certo sentido de um ponto de referência, de um observador. A atenção não construída é uma qualidade da Natureza da Mente, a que o Dozgchen chama a iluminação original do Estado Natural. É chamado “não construído” porque, de acordo com os ensinamentos Dzogchen este tipo de atenção não é algo que tenhamos criado; em vez disso, é como a capacidade de um espelho reflectir o que está à frente. Essa capacidade está na própria natureza do espelho.

Estes dois tipos de atenção trabalham em harmonia. É rara a pessoa que pode permanecer simplesmente sem interrupção na atenção não construída sem o suporte do esforço apropriado. A atenção não construída, em si, não necessita de esforço, mas sem treino só a reconhecemos por breves instantes. De uma forma ou de outra, precisamos de fazer da atenção plena – a qualidade de estar presente no momento, desperto para o que está a acontecer – o coração da nossa prática.

nota: Munindraji  (1915–2003) foi um erudito e professor de Vipassana

excerto de One Dharma, de Joseph Goldstein (tradução de Margarida Cardoso)

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