aqui mesmo onde estamos

Frequentemente, há este sentimento de que não somos suficientemente bons, de que temos de mudar, ser melhores. O que implicitamente significa que não queremos ser quem somos, que não nos aceitamos. Ou aceitamos umas partes, as que achamos mais simpáticas ou mais corajosas e lutamos incessantemente contra as outras. E, contudo, seja o que for que sejamos, é com isso e através disso que estamos aqui, é essa a matéria-prima do nosso caminho espiritual. O caminho começa aqui mesmo onde estamos, tal como somos, com a nossa mistura de confusão e sabedoria.

A prática da meditação é uma das ferramentas essenciais para parar a agitação, a confusão, os julgamentos. Mas não é uma varinha mágica. Aliás, como vamos estar mais atentos, vamos dar-nos mais facilmente conta de até que ponto estamos agitados e podemos achar que estamos a “regredir”. E aí a meditação fará parte de tudo. Não é apenas o momento em que nos sentamos numa almofada, e que acaba no momento em que nos levantamos da almofada. A meditação é uma experiência viva, que integra tudo o que somos e essa percepção, temos de trazê-la para a nossa vida de todos os dias. Os fenómenos, quer surjam sob a forma de sensações visuais, auditivas, olfativas, táteis, quer sob a forma de sentimentos, emoções, acontecimentos exteriores ou interiores, quando vividos com consciência, são um instrumento de libertação. São a nossa oportunidade de acordar. A transformação interior vem da tomada de consciência, não do campo de batalha.

Durante muito tempo na minha prática de meditação ficava embaraçado e envergonhado ao ver na minha mente estados de mente prejudiciais, estados como orgulho ou ciúme, má vontade ou egoísmo; e em vez de os examinar e trabalhar liberto deles, fazia julgamentos sobre mim próprio e cavava ainda mais fundo o buraco em que me encontrava. Ou sentir-me-ia julgado e infeliz quando os meus professores ou outras pessoas apontavam estes estados mentais desarmoniosos. Mas depois de anos de prática, acabo por me sentir agradecido quando observo o surgimento de um desses estados negativos, porque agora mais facilmente os vejo. Torna-se mais uma oportunidade de me desprender desses padrões, de ver a sua transparência essencial, e por me soltar do fardo que representam. (Joseph Goldstein)

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